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A cor da saúde



                                             Foto:Fábio Pozzebom/Agência Brasil


Volta da escola, noite chegando, a filha que adora a cor rosa admira pela janela do carro a nova iluminação da Catedral de Brasília e do Palácio do Planalto:
    
   - Mamãe, hoje é o dia do rosa?
     
   Dia do rosa? Ai, meu Deus, qual o motivo da iluminação cor-de-rosa? Tive de pesquisar para descobrir o motivo. A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) lançou esta semana o movimento nacional Outubro Rosa 2012 com o tema Todo Dia uma Vitória contra o Câncer de Mama.
   
   A cor é linda, passa tranquilidade e deixa a capital federal radiante! Mas chama atenção para uma doença que esbarra sempre perto de nós, mulheres. No ano passado, duas amigas tiveram a doença. Peitos extirpados, a vaidade dos cabelos escondida por lenços incríveis, mas donas de toda a dignidade e força. Admiráveis mães e mulheres que venceram o câncer.  
   
   Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente em todo o mundo e o mais comum entre as mulheres. Representa 22% dos novos casos a cada ano. No Brasil, infelizmente, a taxa de mortalidade é alta, justamente porque a doença é diagnosticada tarde demais.
     
   O rosa é suave, apazigua e, agora, alerta para essa doença sorrateira que chega com avisos discretos que precisam ser identificados. Em outubro, prédios famosos de todo o Brasil também serão iluminados pelo rosa, a cor da saúde.

 


Mulheres sem tempo para comprar



Mulheres adoram comprar. E ponto. O problema é que ir a shopping ou descobrir lojinhas bacanas nas ruas requer tempo. Tudo que essa vida contemporânea não nos permite ter. Só não estamos todas deprimidas e iradas porque o comércio virtual existe. Melhor, o comércio on-line descobriu as mulheres sem tempo.
Eis-me aqui! Não consigo ver uma oferta on-line que entro na fila. Adoro quando as caixinhas de entrega chegam. Dentro dela pode estar um livro, um vestido, uma camiseta, uma louça, uma bijoux ... De tanto revirar a internet em busca de novidades e sites bacanas, virei uma espécie de oráculo para as amigas. A última renegada, que resistia às tentações virtuais, se rendeu ao convite para acessar um site de compra fechado e adquiriu semana passada um rechaud para queijo camembert.
Os sites de compras explodiram no Brasil desde 2008, principalmente aqueles voltados para o público feminino. Pierre-Emmanuel Joffre foi um dos pioneiros na terra brasilis ao lançar o Coquelux. Entendido de vinhos, o francês lançou por aqui a semente de sites de luxo para vender, a preços acessíveis, variados produtos de luxo. A ideia de clube de fechado dava ainda mais glamour e tentação para as compras. 
 Entrei nesse site convidada por ele próprio, que me enviou um foto para ser publicada em matéria de jornal. É um dos meus sites de compras preferidos pela seleção e variedade de produtos de qualidade. Há promoções imperdíveis. Já comprei bolsa francesa e bijoux usadas por celebridades a preços inacreditáveis. “É questão de oportunidade”, disse-me Pierre à época. “E quem mais compra são as mulheres”, acrescentou. A entrega é demorada – 20 dias ou mais, mas a seriedade e o profissionalismo valem a espera.
O Coquelux funciona no esquema de eventos semanais (oferta de produtos de determinada marca), que ficam dois ou três dias expostos. Compra melhor, quem acessa antes. É um marketing que funciona. As melhores ofertas esgotam logo. Por isso, o melhor visitar o site às 7h ou às 12h, horários em que os eventos vão ao ar.  
Bom, a ideia deste post é compartilhar as minhas experiências de compras on-line. Abaixo sites “de vestuário” em que já fiz compras e a minha opinião sobre eles:

- www.coquelux.com.br -  Já está mais que recomendado!
- www.e-closet.com.br –  Está no ar desde junho de 2008 e garante ser o pioneiro no e-commerce de moda no Brasil. A entrega é mais rápida. Os produtos são de qualidade, mas o preço não é tão promocional. A dona chama-se Giovana Lemes Motta, que mantém a ideia original de não popularizar o site. Traz inclusive peças exclusivas. A partir dele é possível acessar o e-close kids, que traz artigos para os pimpolhos.
- www.superexclusivo.com.br – Começou como site fechado e tinha uma abertura bem moderna. Funciona por eventos e traz marcas interessantes. Não lembro de ter comprado algo.
- www.oqvestir.com.br – Os produtos são renovados com frequência e são bem antenados com a moda. Os preços mais ou menos, mas recomendo ficar de olho nas “sales”.
- www.shoes4you.com.br – Tem uma jogada de marketing interessante. Ao se cadastrar, você ganha um closet personalizado de bolsas e sapatos. Você ganha 20 pontos a cada compra. Quando completa 100, ganha um produto. Os sapatos são macios, bem confortáveis, de acordo com a tendência de moda, mas nenhum produto é de couro. Tenha isso em mente ao investir R$ 99,00 em qualquer produto. Tem frete grátis.
- www.brandsclub.com.br – Já comprei muitas vezes, mas a demora na entrega me fez largá-lo de mão. Havia problema também de falta de mercadoria e sua encomenda acabava não chegando. O valor era creditado no cartão de crédito. Como ponto positivo a renovação rápida dos eventos.
- www.privalia.com.br – Segue o mesmo modelo do brandsclub. Faz tempo que não compro, pelos mesmos motivos. Porém, tem a vantagem de trazer variedade de produtos a preços bem acessíveis.
- www.glamour.com.br – Faz tempo que não compro. O site foi bastante modificado e ampliado. Traz muitas marcas importadas daquelas que encontramos aos montes nos outlets dos Estados Unidos. Comprei uma vez há tempo e não tive problema.
- www.claireandbruce.com.br - Foi lançado há pouco tempo e tem entrega rápida. Há ofertas interessantes e marcas bem diversificadas. É preciso peneirar.
- www.dafiti.com.br – A entrega é rápida e talvez seja o mais popular de todos os sites. Já comprei, mas é preciso peneirar para conseguir algo mais exclusivo e que valha a pena. A vantagem é o frete grátis.

* Bom, se lembrar de mais algum, acrescento depois!

Saia justa infantil




Neste fim de semana estive diante de mais um episódio da vã filosofia da vida moderna. Minhas filhas receberam um convite todo caprichado para passar a tarde de sábado na casa de uma amiguinha. Para a felicidade das meninas, topei o sacrifício de dirigir quase meia hora para deixá-las lá.
Liguei para confirmar a ida e combinei de buscá-las três horas depois. Não queria abusar, criança faz bagunça e, afinal, era uma família com a qual não tinha intimidade. Nosso relacionamento era de “oi e olá” e frases curtas nos corredores da escola e nas festinhas infantis. Fiz recomendações para as meninas de não brigarem e de ajudarem a guardar os brinquedos da amiga.
Às 18h15, quinze minutos de atraso, lá estava eu tocando a campainha à cata das gêmeas. O pai atendeu... todo sorridente. Disse um olá como reza a etiqueta e me convidou a entrar ... Tudo que eu não queria.
- As meninas estão no banho!  Disse a mãe, que vinha em minha direção.
- Mas não precisava. Eu nem mandei roupa extra... Afinal eram só três horas. Achei que não precisariam...
A mãe, modelo de etiqueta, fala pausada e doce, explicou que as crianças quiseram descer para brincar no parquinho. Resultado: voltaram sujas. O que é absolutamente normal. 
- As três estão na banheira! Disse a mãe.
Santíssima Trindade! Lá fui eu ajudar...  A banheira era no quarto do casal... e as crianças pulavam na gostosura daquela água, molhando todo o banheiro. E eu de botas... o chão estava ficando um horror... Desculpei-me com a mãe, que buscou um novo tapete (branco!)
 As crianças não queriam sair.
- Deixa mais um pouquinho, mamãe!
Pedi, “repedi” e, enfim, convenci a menos geniosa a sair da banheira. Saiu de lá toda serelepe, cabelos encharcando ainda mais o banheiro:
- Mamãe, estou morrendo de fome!
Santíssima Trindade, o que se diz numa hora dessas? Fui salva pela mãe de voz doce que me explicou que as crianças tinham lanchado queijo quente, bolo e suco de uva.  
Bom, pensei lá comigo, que estava naquela hora urgente de acrescentar rigores na aula de etiqueta de como se comportar na casa das  amigas. Tinha orientado as duas criaturinhas a cumprimentarem os pais, a agradecerem o lanche e a não dizerem “não gosto disso ou daquilo”. Esqueci da proibição de dizer “estou com fome!” Até porque a fome dessa serelepe que saltou da banheira é de doce.
A mãe guardou as roupas sujas das meninas numa sacolinha e pegou dois vestidinhos no armário para emprestar.
- Agradeci, prometendo devolvê-los, lavados, na próxima terça-feira.
Fomos embora, depois de muito custo. A segunda filha serelepe queria dormir na casa da amiguinha.
- Não, querida, isso não foi combinado!
Convidei a família a ver o novo desenho da Tinker Bell no cinema, dia seguinte. Eles agradeceram, mas já tinham visto.
Ao chegarem em casa, as duas serelepes correram para tirar os vestidos emprestados.
- É para não sujar. Vamos ao cinema amanhã com eles!
Não dei importância ao fato e,  no seguinte, pedi para que se aprontassem porque já estava quase na hora da Tinker Bell. Não é que as duas que sempre reviram todas as gavetas e o armário em busca do look perfeito, nesse dia não tiveram dúvidas? Estavam com os vestidos da amiga!
Para evitar aquele estresse de qual roupa usar, deixei-as irem daquele jeito mesmo. Adivinhe? No shopping Center, nos deparamos com a família dona dos dois vestidos. Eu cumprimentei-os e comentei que as meninas quiseram usar os vestidos. Eles não disseram nada, nem que sim nem que não, e eu não dei muita bola. Criança gosta das roupas das amigas. Já tinha percebido isso com as priminhas e as amigas das gêmeas que foram à minha casa.
Mas a mãe de outra amiga das meninas, que assistiria  Tinker Bell conosco e com a qual tenho mais intimidade, disse-me na cara dura:
- Eu  morreria de vergonha, amiga, e não saberia onde esconder a cara!
Desde então fiquei pensando nisso. Afinal, o que parecia uma bobagem pode ser mal interpretado pela outra mãe.  Que impressão eu posso ter passado? De mãe relaxada? De mãe aproveitadora? Logo eu?
Recorri às amigas do trabalho. Relatei o caso e todas concordaram com a mãe cheia de vergonha.
Puxa vida, será que estou ficando desligada demais? Ou será que, pelo contrário, alcancei um patamar em que coisas bobas deixaram de ser relevantes? Ou não seria uma coisa boba e relevante? Sinceramente, não ligaria se fosse o contrário. Então, só pode ser um fato bobo.  Ou será que não?



Vamos aprender com Monteiro Lobato?




Ufa! A semana foi puxada, mas terminei agora há pouco de ler Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato. Assim que recomeçou a polêmica sobre a existência de racismo nesse clássico da literatura infantil, não resisti. Entrei na internet, na Estante Virtual, e fiz a encomenda. Li Monteiro Lobato quando era menina, adorava o mundo do Sítio do Picapau Amarelo da TV Globo, mas seria, com certeza, uma redescoberta.

E foi... Monteiro Lobato é genial. E, como jornalista, tenho absoluta certeza de que a maioria dos meus colegas não teve a ideia básica de ler Caçadas de Pedrinho antes de colaborar com essa polêmica absurda. Não vi preconceito e discriminação nas duas histórias de caçadas que aparecem no livro: a da onça-pintada e a do rinoceronte.

Vamos, então, a alguns dos infinitos motivos para que todas as crianças tenham o direito de ler essa obra, que faz parte do acervo de literatura enviado pelo Ministério da Educação às escolas públicas de todo o Brasil:

Motivo 1 - Lobato adorava as palavras e preocupa-se em escrevê-las corretamente. O dicionário, de A a Z, foi um livro que fez questão de ler para descobrir e anotar palavras que, depois, utilizaria em seus livros. Então, anote aí, algumas que achei no livro e tive que recorrer ao dicionário para saber o significado.

a) Impertérrito -  impávido, que não tem medo
b )repimpar – encher-se, fartar-se
c) abespinhar-se – ficar zangado ou amuado
d) rábula – trapaceiro, mau advogado


Não é uma forma de estimular alunos a fazerem o mesmo, ou seja, a descobrirem a beleza de um dicionário?

 Motivo 2 -  O livro chama a atenção para um problema comum no início do século XX e que ainda resiste nos dias de hoje: a caça aos animais selvagens. Pedrinho e a turma matam a onça-pintada, de forma cruel, como verdadeiros caçadores. Mas a lição moral vem, em seguida, com a revolta dos bichos da Mata da Taquaruçus, no sítio. A bicharada selvagem não aceita a morte da onça, que tinha família, e resolve atacar a casa de Dona Benta. Acontece o mesmo com a história do rinoceronte fugido de um circo que chega ao Rio de Janeiro e vai parar no sítio. Se no início a turma quer caçá-lo, desiste ao descobrir que é um bicho manso, cansado da vida cruel do cativeiro no circo.


Até há pouco tempo, os circos que chegavam a Brasília exibiam bichos. Lembram da polêmica e da proibição imposta  pelas autoridades do governo que impediram o espetáculo?

Motivo 3 -  Lobato valoriza nossa cultura, nossas plantas. Lê-lo é descobrir um pouco das nossas frutas e das nossas plantas.  Pé de grumixama? Folhas de embaúba? Cacho de brejaúvas?

Não sabe? Desta vez, faça como o Lobato e procure no dicionário, ok?


Motivo 4 -  O autor incentiva o espírito crítico ao incluir na história do rinocerante a morosidade, a ineficiência dos serviços públicos do governo, além de destacar o excesso de funcionários e altos salários.

Senso crítico e alunos antenados com a realidade devem fazer parte das lições de escola, não?

Motivo 5 -  Lobato é criativo. “Meninos daninhos” é ótimo, não? Assim como “o onço” e os besouros que falavam “gemeamente”, por serem gêmeos. Um dizia as palavras pares e o outro as palavras ímpares...

Meu Deus, que ideia genial! É uma ótima sugestão para as minhas filhas Clara e a Bruna, que são gêmeas, e vivem brigando para falar antes da outra.

Motivo 6 -  Não enxerguei nada de racismo e preconceito. Talvez a passagem mais polêmica seja: “Não vai escapar ninguém – nem Tia Nastácia, que tem carne preta.”

Sejamos sensatos e nos atentamos aos fatos:  Tia Nastácia é negra e será comida pelos bichos. Racismo existiria se ela não fosse devorada. Lembrem-se que o Brasil do início dessa época era, sim, ainda mais racista. Lobato descreve a realidade da nossa sociedade desse tempo e, mais uma vez, sai como vanguardista de um tema polêmico. Taxá-lo de racista? Será que não era justamente o contrário?

Motivo 7 -  Lobato fala das tecnologias, da modernização do mundo. As histórias se passam na época do telegrama, quando o telefone ainda era novidade.

A obra marca essa transição nos meios de comunicação. Pode ser utilizado como fonte de pesquisa pelos professores, que ainda devem lembrar que as histórias de Lobato foram adaptadas para séries na televisão. Hoje, o Mundo do Sítio pode ser acessado na internet pelas crianças, em versão atualizada que traz interatividade.

Motivo 8 -  Próxima semana chegaremos em outubro, mês das Crianças. O livro Caçadas de Pedrinho é uma boa opção de presente.

Ainda mais porque Lobato faz o que muitos pais modernos, antenados com o certo e o correto nos dias de hoje, ainda não aprenderam: a ouvir seus filhos e a brincar com eles.  No final da história, Dona Benta quer voltar a se“escarrapar” dentro do carrinho de madeira, que é puxado pelo rinoceronte manso. Mas se depara com Tia Nastácia lá, se divertindo:

 “- Negro também é gente, Sinhá...”




 

Então reflitam: preconceito ou racismo?

Vamos deixar que o próprio autor responda?

“Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens”, frase da capivara em resposta ao macaco bugio, durante a assembleia da bicharada para atacar o sítio de Dona Benta.