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Chegamos a 1984!



Imagem do Google

A redação é a grande vedete do Enem 2012 que será aplicado neste fim de semana. Mais de 5,7 milhões de jovens estudantes farão as provas. É muita gente. Mais que a população de toda a cidade do Rio de Janeiro.
Como se posicionar criticamente é algo extremamente subjetivo, que pode agradar ou não, a correção da redação sempre deu confusão. Os especialistas do Ministério da Educação se juntaram e decidiram definir critérios objetivos para a correção.
Bom, mas não é esta a questão. Todo esse “nariz de cera” é para lembrar o assunto da redação do ano passado: VIVER EM REDE NO SÉCULO XXI: OS LIMITES ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO.
O tema é mais que atual e instigante. Pois então, no Guia de Redação do Estudante, disponível na página do Enem,  há exemplos de redação que tiraram nota máxima. Li todas, mas me impressionei com o primeiro texto. Considerei a melhor redação. A dissertação é de Isabela Carvalho Leme Vieira da Cruz, do Rio de Janeiro.
Intitulado de forma criativa como o “O fim do Grande Irmão”, a redação traz na introdução uma comparação com a nossa realidade virtual. “O mundo idealizado por George Orwell em seu romance 1984, onde aparelhos denominados teletelas controlam os habitantes de Oceania vem se tornando realidade”. Belo começo para um texto, não? Demonstra leitura, conhecimento e pertinência ao tema.
O texto segue com os argumentos da candidata sobre o uso das redes sociais, como o Facebook e o Twiter. “As novas redes sociais, surgidas nesse início do século XXI, se tornam os principais vetores da alienação cultural e social da população, uma vez que todos possuem um perfil virtual com acesso imensurável a todo o tipo de informações”. Palavras da Isabela, que conclui o texto:
            “É necessária a aplicação de medidas visando a um maior controle da internet. A implantação, na grade escolar brasileira, do estudo  dessas novas tecnologias de informação, incluindo as redes sociais, e a, consequente, formação crítica dos brasileiros, seria um bom começo. Só assim, poderemos negar as previsões feitas por George Orwell e ter um futuro
livre do controle e da alienação.”
             Bom, se eu fosse corretora de redação do Enem, daria também a nota máxima para essa candidata. Além da coerência, da exímia comparação, ela escrever bem, corretamente. O respeito à nossa gramática é uma tarefa difícil entre os jovens. Já editei muitos textos de jornalistas recém-formados... Sabe a frase que sempre eu repetia na redação? Não quero mais trabalhar nisso. É tudo um lixo!
E, por falar em George Orwell, a obra clássica 1984 será refilmada. A direção será de Ron Howard, de Uma Mente Brilhante. Trata-se da história de um homem que trabalha no Ministério da Verdade. A história se passa em 1984, um ano então no futuro. O funcionário é obrigado a reescrever fatos que contradizem a versão oficial do governo. Mas, secretamente, ele critica esse tipo de sociedade e não se deixa alienar.
Foi o livro de George Orwell que deu origem ao famoso termo Big Brother. Motivo suficiente para comprar o livro e ler. Custa R$ 33,60 na Saraiva on-line.






Chora, William Bonner!


Imagens: Google
 Não há Jornal Nacional que resista às crianças. Desde que as gêmeas descobriram na escola o boato em torno da novela Carrossel, chegam em casa com disciplina militar. Tomam o banho rapidinho e vestem o pijama, comem gulosamente o jantar, fazem o dever de casa e arrumam o material para o dia seguinte.
Antes toda essa rotina era motivo de estresse. A disciplina acontece porque às 20h30, elas sabem que começa a novelinha infantil.
            Nós, pais, acabamos acompanhando de soslaio. O programa parece uma produção dos anos 1980 e repete todos os clichês e jargões televisivos imagináveis. Mas funcionam. A professorinha Helena e seus alunos ganharam tietes mirins e a indústria de brinquedos já pegou carona nesse “Carrossel”.  A Estrela lançou bonecos das crianças Valéria, Maria Joaquina, Cirilo e Carmem.
            - E já tem a tiara da Valéria, mamãe! Minha amiga já comprou! É uma tiara com todas as cores do arco-íris!
            Outros produtos do novo modismo estão chegando às lojas como CDs, cadernos e mochilas escolares.
            O SBT ganha nota 10 porque explora um filão abandonado pela Rede Globo: as crianças. Desde o Xou da Xuxa, que a emissora não se reinventa. O horário da manhã, em que muitas crianças estão na escola, ficou com o “Desencontro com Fátima Bernardes”.
Será que ninguém na poderosa notou que produções baratas como Chiquititas e Chaves fizeram sucesso entre os pequenos? Bom, melhor para o SBT, que espera todas as crianças voltarem das suas escolas para assistirem à aula da professora Helena. Pode chorar, William Bonner!


Invasão escultural



Joana França  (divulgação)
            Um dia desses, há duas semanas mais ou menos, na volta para casa, uma das minhas filhas avistou homens na altura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Eu, na pressa e de olho no trânsito movimento em direção à Ponte JK, nem dei bola à pergunta:
            - Mãe, são homens que estão ali pendurados?
            - Claro, minha filha, são pessoas trabalhando...
            Só nos dias seguintes, passando pelo mesmo trecho, é que percebi a instalação de arte com corpos pretos pendurados e expostos em variadas formas. De relapso, achei interessante e quis visitar a exposição.
A vontade de passar por lá aumentou ainda mais quando me deparei com uma escultura fincada ao lado da pista, imóvel e desafiadora, como um alienígena. Gosto dessas interferências artísticas urbanas que nos inquietam, nos retiram da monotonia do nosso dia a dia.
No domingo, dei uma passada rápida pela exposição no CCBB com as minhas filhas. Para tornar o passeio mais lúdico, entreguei a minha máquina fotográfica e deixei que cada uma capturasse a imagem de que mais gostasse. Uma gostou do homem pensativo, a imitar Rodin. A outra do homem pendurado pelo pé, uma forma invertida de ver o mundo. 
Brasília é uma cidade com arquitetura muito humanista por ser filha de Lucio Costa. Os nossos monumentos não são suntuosos, mas singelos, em respeito à dimensão humana e à natureza.Na minha opinião, é isso o que faz essa cidade tão especial dentro do movimento modernista. Não temos espigões, mas temos o céu aberto do Planalto Central. E os arquitetos que inventaram essa cidade souberam dimensionar esse esplendor.
Mas voltemos aos homens de preto e de ferro. Esses alienígenas são obra de Antony Gormley, reconhecido como um dos maiores artistas britânicos da atualidade. Todos os corpos são réplicas do corpo dele, uma onipresença em pontos estratégicos de Brasília. Há quem goste, há quem não.
-  “Que coisa mais narcisista!”, disse uma amiga, que não gostou das esculturas nus. Engraçado como o nu não chocou as minhas filhas. Para elas que já visitaram o Metropolitan, em Nova York, e sentaram-se no chão para desenhar esculturas clássicas greco-romanas de corpos nus, em mármore branco, o chocante da instalação de Gormley foi a posição dos corpos. Cada uma fez suas próprias observações.
Eu ainda acho que a visita e a reflexão são válidas. 

Foto: Jamila Tavares (G1)

Um país só para mim

Imagem do Google


Eu tenho um nome diferente e, confesso, que é perfeito para mim. Eu me sinto única. Rovênia sou eu e pronto. Eu mesma não conheço nenhuma outra. Embora às pessoas errem pra caramba, tornando o nome grotesco, não me importo. É uma limitação delas.
Outras, na santa ignorância, já chegaram a me perguntar se era uma invenção, daqueles nomes que se formam com metade do nome do pai e a outra metade da mãe... Eu não poderia ser filha de pais com os nomes mais comuns do mundo: João e Maria.
Meu nome foi ideia da minha mãe, uma homenagem à melhor amiga dela nos tempos de adolescência. Só lamento que a amizade das duas tenha se perdido com o correr da vida.
Cheguei a conhecer a irmã da Rovênia: Rejane, uma elegante morena magra e alta, daquelas que podem usar sem problemas uma minissaia jeans. Era inteligente. Chegamos a iniciar um curso de graduação juntas, depois mudei-me para Brasília e perdi contato, repetindo a história da minha mãe e sua amiga Rovênia.
Bom, descobri na internet a escritora Melissa Wyatt, que mora nos Estados Unidos, e escreveu um romance fictício, voltado para o público infantojuvenil, intitulado Raising the Griffin. É a história de um reino pequeno e esquecido no leste europeu e que foi extirpado pelos comunistas. Qual é o nome desse país? Pois é, Rovenia. E os descendentes da monarquia que precisaram negar sua origem e que tentam reconstruir o reino são os rovenians.
Não resisti e enviei um e-mail para a escritora. Eu queria saber por que ela teve a ideia de batizar o país fictício com o nome de Rovenia. Hoje, entre os meus e-mails, estava o da escritora. Rovenia, disse ela, é um nome incomum também nos Estados Unidos. Existe por lá uma médica famosa, que vende um elixir da juventude eterna, chamada Rovenia Brock (*).
            Segundo ela, Raising the Griffin foi escrito em um gênero conhecido como “Ruritanian literature”. Esse nome vem de um país fictício chamado Ruritania nas novelas de Anthony Hope, incluindo O Prisioneiro de Zenda. Ruritania está situado em algum lugar na Europa e é regido por uma monarquia.
            Bom, essa foi a inspiração de Melissa ao escrever o seu livro. Ela disse que quando estava escrevendo Raising the Griffin, procurou por um nome que coubesse na localização geográfica. E, para isso, pesquisou muitos mapas da área entre Polônia, Hungria e Ucrânia. “The name Rovenia just felt like it fit with name of other places in that location”.
            Ok, quem sou para contestar. Achei engraçado e comprei o livro pela internet. Vai na bagagem para as férias de janeiro. Pelo menos, ninguém vai poder me acusar de não ser original. 


 (*) E se você ficou curiosa em saber mais sobre as dietas milagrosas da nutricionista Rovenia Brock clique para assistir a vídeos em que ela dá dicas.