Páginas

Translate

PRÊMIO DARDOS

 
O PRÊMIO DARDOS, prestigiado e desejado no mundo dos blogs, reconhece o mérito diário a cada blogueiro que com amor e dedicação,  faz espalhar o seu conhecimento e criatividade, tornando-o disponível a todos na web.

De acordo com as regras, devemos:
-exibir a imagem do selo no blog
-colocar o link do blog de quem se recebeu o prêmio
-escolher outros 5 blogs para receberem o SELO PRÊMIO DARDOS
-Avisar aos escolhidos.
 
Tive a honra de ser indicado pelo amigo Will, do blog Entrelinhas:
 
http://entrelinhasdowill.blogspot.com.br/
Indico mais cinco blogs:
(Blog de Tais Luso)

(Flor de Lis - Lis)

(Manoel)

(Vanda)

(Maison de Poupée - Gabriella)

Off revelado



Crédito: Pedro Ferreira
            A palavra “off” persegue os jornalistas. Às vezes para se contar uma boa história, ou relatar um fato que ninguém quer assumir, conquistamos as fontes e seus “offs”. A gente aprende, a contragosto, a respeitar. Uma vez descumpri o prometido, mas vocês vão entender. O momento era raro e a informação única.
            O ano era 2001 e entrei de penetra no apartamento da Avenida Atlântica, de Oscar Niemeyer. Gravador ligado na bolsa, um bloquinho de papel (naquela época não usávamos tablet e laptop) e uma caneta qualquer, sentei no sofá ao lado do deputado que seria recebido pelo arquiteto. Estava combinado que me passaria por uma assessora do político.
            Antes de Niemeyer chegar, a passos lentos, e sentar-se numa cadeira na nossa frente, tive tempo de me encantar com as curvas do Pão de Açúcar, vista privilegiada da ampla janela do arquiteto. Nas paredes, alguns croquis protegidos por vidros, num ambiente austero, em preto e branco.
            Estava tudo correndo bem. Anotava cada palavra, nem piscava de tão empolgada. Niemeyer é avesso a jornalistas e eu tinha a noção exata da importância do momento e daquela reportagem que seria publicada no dia seguinte. 
            Num instante qualquer, ele parou de falar, olhou de soslaio para aquela pessoa miúda que não conseguiu passar despercebida:
            - Quem é você?
            Quanta coisa passa na nossa cabeça numa hora dessas. Contava a verdade? Mentia? Quem me conhece, já sabe de antemão o que respondi:
            - Sou jornalista  e vim a convite do deputado.
            Ele pareceu contentar-se. Eu me senti, enfim, aliviadíssima. Pronta, poderia fazer minhas perguntas. Comecei por desabar o meu encanto mineiro por Brasília. Meus olhos devem ter brilhado porque realmente sou apaixonada por essa cidade que resume ideais humanistas. Agradeci pela qualidade de vida que ele e Lucio Costa nos deixaram. Ele escutou, só escutou. Disse apenas que se entristecia de ver aqueles carros enfileirados ao redor do Congresso Nacional. Segundo ele, uma das coisas mais feias em Brasília.
            Depois, comecei a trabalhar. Estava ali para arrancar uma frase do arquiteto contra o governador Joaquim Roriz. Queria uma crítica sobre, eu acho, a Ponte JK, obra faraônica. Saí de lá sem a frase. Astuto, ele fez o contrário: um elogio ao governador que prometera concluir as obras do Eixo Monumental de Brasília – a biblioteca e o museu na Praça da República. 
Bom, mas de qualquer jeito já tinha a matéria: a história dos carros enfileirados nas proximidades do Congresso Nacional. Resultado de muitos carros, poucas vagas. Num dos últimos instantes, ele me chamou para acompanhá-lo a um canto do escritório. Retirou um livro da estante, perguntou meu nome, escreveu a dedicatória e entregou-me. “Para Rovênia, certeza neste Oscar Niemeyer”.
Terminei agora há pouco de relê-lo: “Minha Arquitetura – Oscar Niemeyer”, da Editora Revan , edição de 2000. Nesse livro, ele descreve as suas principais obras em Brasília e pelo mundo e revela seus sentimentos e sua integridade, passagens da sua vida e de figuras históricas como Lucio Costa, Le Corbusier, Juscelino e Marechal Lott  (conto em outra oportunidade, ok?)
Estava toda feliz, já na despedida, quando ele calmamente ordena:
- Só não autorizo que você publique nada que falamos aqui.

Ao reler o livro que ele me presenteou, tenho certeza de que fiz absolutamente o certo em não obedecer. Segue o trecho:

“(...) Ali aprendi uma lição. Às vezes, é preciso dizer não. E, mesmo quando isso nos traz prejuízos no momento, pode nos trazer benefício no futuro. Não fosse aquele “não”, Capanema não teria se aproximado de mim, nem eu teria projetado Pampulha e Brasília.”


(*) Ganhei folga nesta sexta-feira. Até segunda-feira. Deixo vocês com um vídeo belíssimo sobre Niemeyer: “A vida é um sopro”.




No controle




Imagem do Google

Ele traz o vinho tinto de reserva e o queijo francês que ela mais gosta. Mas não há romantismo que resista ao controle-remoto! Por que os homens gostam tanto de mudar de canal? Aquele filme não parecia ótimo?

O amor dos homens pelo controle-remoto foi o assunto das três amigas na pizzaria. 
 
- Eu já desisti. Fico lá bebendo o vinhozinho até ele se decidir. É o melhor para evitar discussão. 

- Eu não consigo entender, mesmo! Por que eles têm essa mania? São todos iguais?

- É inconsciente, automático. Querem sempre ter o controle da situação.

Capítulo II – Acaso dos cadarços


Favim.com

 
            E se não fosse um sonho? E não era. Eu sabia muito bem disso. Tive dois ataques de medo. Minha mãe já havia morrido. Nem esse consolo eu tinha. Morava sozinho e era sozinho. O sujeito carrancudo arrancou-me de minhas conjecturas e me jogou dentro de seu carro, que partiu com um barulho insuportável dentro dos meus ouvidos. Só tive tempo de observar um cadáver ser carregado para o outro carro, que partiu na frente.
            Pensei que estavam atuando em um filme qualquer: o mocinho morto e o vilão preso. Pensei novamente e concordei comigo que não teria dado muita bilheteria. Estava sozinho e era sozinho. Então pensei em morrer de novo. Era tudo real e, pelo visto, eu era o vilão.
            Chegamos. Era um penitenciária. Nunca tinha visto uma por dentro. Era nojento. Tive vontade de vomitar, mas só iria piorar o seu estado. Um homem, mais carrancudo que aquele que me escoltava, olhou-me: primeiro para meus pés e depois para meus olhos. Então estremeci. Alguma coisa estava errada. Era o segundo que agia assim.
            Porém, desta vez, não olhei para os seus pés. Abaixei a cabeça e reparei nos meus. Minha nossa! Não sei se cheguei a dizer isso,mas meus sapatos estavam ensanguentados e sem cadarços. Foi quando me dei conta que também minhas roupas estavam pingadas, aqui e ali, de sangue.
            Não tinha ainda acabado minhas conjecturas quando me levaram para uma cela ainda mais nojenta. Então não hesitei: vomitei. Pude notar apenas alguns olhos sem donos me observarem por todos os lados. Estremeci novamente. Eu era um assassino? Não era possível. Acreditava em Deus e no Espírito Santo. Eu era um assassino...
Não. Eu não era um assassino. Devia estar louco ou tendo um pesadelo. Dormi aquela noite ali, em meio à sujeira e ao ser odor. Tive vontade de nunca abrir os olhos e dormir eternamente. Ou então de abri-los e sentir o ar puro e fresco da manhã passada e de atrasar constantemente os ponteiros para não chegarem nas dez horas e começar tudo de novo.
A minha cabeça doía, quando alguém entrou na cela e me enxotou para uma sala escura onde havia alguns carrancudos que me olharam com veemência e medo. Alguém foi a um canto, puxou uma espécie de gaveta e fez sinal para o carrancudo atrás de mim. Esse me dirigiu ao encontro da gaveta e senti que minhas pernas desapareciam.
O cadáver tinha um sobretudo, um cachecol xadrez em vermelho, preto e branco e as mãos agarradas ao pescoço. Um dos carrancudos tirou-lhe as mãos em volta do pescoço e afroxou-lhe o cachecol: o pescoço havia sido brutalmente afinado por um par de cadarços. Havia sangue nos cantos da boca.
Fiquei horrorizado, mas calmo, muito calmo... Não dava para acreditar, simplesmente não dava. Não mais tive vontade de morrer. Já não tinha forças.
Agora passo os dias aqui, refletindo, lembrando o dia de chuva, das crianças correndo com os braços abertos. E, aqui, nem o barulho dos pingos me deixam ouvir. Vivo com um barulho insuportável nos ouvidos. Imagino que logo cai mais um pingo e outro. Num instante são centenas... aqui e ali.