O
PRÊMIO DARDOS, prestigiado e desejado no mundo dos blogs, reconhece o
mérito diário a cada blogueiro que com amor e dedicação, faz espalhar o
seu conhecimento e criatividade, tornando-o disponível a todos na web.
De acordo com as regras, devemos:
-exibir a imagem do selo no blog
-colocar o link do blog de quem se recebeu o prêmio
-escolher outros 5 blogs para receberem o SELO PRÊMIO DARDOS
-Avisar aos escolhidos.
Tive a honra de ser indicado pelo amigo Will, do blog Entrelinhas:
A palavra “off” persegue os jornalistas. Às vezes para se
contar uma boa história, ou relatar um fato que ninguém quer assumir,
conquistamos as fontes e seus “offs”. A gente aprende, a contragosto, a
respeitar. Uma vez descumpri o prometido, mas vocês vão entender. O momento era
raro e a informação única.
O ano era 2001 e entrei de penetra no apartamento da
Avenida Atlântica, de Oscar Niemeyer. Gravador ligado na bolsa, um bloquinho de
papel (naquela época não usávamos tablet e laptop) e uma caneta qualquer,
sentei no sofá ao lado do deputado que seria recebido pelo arquiteto. Estava
combinado que me passaria por uma assessora do político.
Antes de Niemeyer chegar, a passos lentos, e sentar-se
numa cadeira na nossa frente, tive tempo de me encantar com as curvas do Pão de
Açúcar, vista privilegiada da ampla janela do arquiteto. Nas paredes, alguns
croquis protegidos por vidros, num ambiente austero, em preto e branco.
Estava tudo correndo bem. Anotava cada palavra, nem
piscava de tão empolgada. Niemeyer é avesso a jornalistas e eu tinha a noção
exata da importância do momento e daquela reportagem que seria publicada no dia
seguinte.
Num instante qualquer, ele parou de falar, olhou de
soslaio para aquela pessoa miúda que não conseguiu passar despercebida:
- Quem é você?
Quanta coisa passa na nossa cabeça numa hora dessas.
Contava a verdade? Mentia? Quem me conhece, já sabe de antemão o que respondi:
- Sou jornalista e
vim a convite do deputado.
Ele pareceu contentar-se. Eu me senti, enfim,
aliviadíssima. Pronta, poderia fazer minhas perguntas. Comecei por desabar o
meu encanto mineiro por Brasília. Meus olhos devem ter brilhado porque
realmente sou apaixonada por essa cidade que resume ideais humanistas. Agradeci
pela qualidade de vida que ele e Lucio Costa nos deixaram. Ele escutou, só
escutou. Disse apenas que se entristecia de ver aqueles carros enfileirados ao
redor do Congresso Nacional. Segundo ele, uma das coisas mais feias em
Brasília.
Depois, comecei a trabalhar. Estava ali para arrancar uma
frase do arquiteto contra o governador Joaquim Roriz. Queria uma crítica sobre,
eu acho, a Ponte JK, obra faraônica. Saí de lá sem a frase. Astuto, ele fez o
contrário: um elogio ao governador que prometera concluir as obras do Eixo
Monumental de Brasília – a biblioteca e o museu na Praça da República.
Bom,
mas de qualquer jeito já tinha a matéria: a história dos carros enfileirados
nas proximidades do Congresso Nacional. Resultado de muitos carros, poucas
vagas. Num dos últimos instantes, ele me chamou para acompanhá-lo a um canto do
escritório. Retirou um livro da estante, perguntou meu nome, escreveu a
dedicatória e entregou-me. “Para Rovênia, certeza neste Oscar Niemeyer”.
Terminei
agora há pouco de relê-lo: “Minha Arquitetura – Oscar Niemeyer”, da Editora
Revan , edição de 2000. Nesse livro, ele descreve as suas principais obras em
Brasília e pelo mundo e revela seus sentimentos e sua integridade, passagens da
sua vida e de figuras históricas como Lucio Costa, Le Corbusier, Juscelino e
Marechal Lott(conto em outra
oportunidade, ok?)
Estava
toda feliz, já na despedida, quando ele calmamente ordena:
-
Só não autorizo que você publique nada que falamos aqui.
Ao
reler o livro que ele me presenteou, tenho certeza de que fiz absolutamente o
certo em não obedecer. Segue o trecho:
“(...)
Ali aprendi uma lição. Às vezes, é preciso dizer não. E, mesmo quando isso nos
traz prejuízos no momento, pode nos trazer benefício no futuro. Não fosse
aquele “não”, Capanema não teria se aproximado de mim, nem eu teria projetado
Pampulha e Brasília.”
(*)
Ganhei folga nesta sexta-feira. Até segunda-feira. Deixo vocês com um vídeo belíssimo sobre
Niemeyer: “A vida é um sopro”.
Ele traz o vinho tinto de
reserva e o queijo francês que ela mais gosta. Mas não há romantismo que
resista ao controle-remoto! Por que os homens gostam tanto de mudar de canal? Aquele
filme não parecia ótimo?
O amor dos homens pelo
controle-remoto foi o assunto das três amigas na pizzaria.
- Eu já desisti. Fico lá
bebendo o vinhozinho até ele se decidir. É o melhor para evitar discussão.
- Eu não consigo entender,
mesmo! Por que eles têm essa mania? São todos iguais?
- É inconsciente,
automático. Querem sempre ter o controle da situação.
E se não
fosse um sonho? E não era. Eu sabia muito bem disso. Tive dois ataques de medo.
Minha mãe já havia morrido. Nem esse consolo eu tinha. Morava sozinho e era
sozinho. O sujeito carrancudo arrancou-me de minhas conjecturas e me jogou
dentro de seu carro, que partiu com um barulho insuportável dentro dos meus
ouvidos. Só tive tempo de observar um cadáver ser carregado para o outro carro,
que partiu na frente.
Pensei que
estavam atuando em um filme qualquer: o mocinho morto e o vilão preso. Pensei
novamente e concordei comigo que não teria dado muita bilheteria. Estava
sozinho e era sozinho. Então pensei em morrer de novo. Era tudo real e, pelo
visto, eu era o vilão.
Chegamos.
Era um penitenciária. Nunca tinha visto uma por dentro. Era nojento. Tive
vontade de vomitar, mas só iria piorar o seu estado. Um homem, mais carrancudo
que aquele que me escoltava, olhou-me: primeiro para meus pés e depois para
meus olhos. Então estremeci. Alguma coisa estava errada. Era o segundo que agia
assim.
Porém,
desta vez, não olhei para os seus pés. Abaixei a cabeça e reparei nos meus.
Minha nossa! Não sei se cheguei a dizer isso,mas meus sapatos estavam
ensanguentados e sem cadarços. Foi quando me dei conta que também minhas roupas
estavam pingadas, aqui e ali, de sangue.
Não tinha
ainda acabado minhas conjecturas quando me levaram para uma cela ainda mais
nojenta. Então não hesitei: vomitei. Pude notar apenas alguns olhos sem donos
me observarem por todos os lados. Estremeci novamente. Eu era um assassino? Não
era possível. Acreditava em Deus e no Espírito Santo. Eu era um assassino...
Não. Eu não era um assassino.
Devia estar louco ou tendo um pesadelo. Dormi aquela noite ali, em meio à
sujeira e ao ser odor. Tive vontade de nunca abrir os olhos e dormir
eternamente. Ou então de abri-los e sentir o ar puro e fresco da manhã passada
e de atrasar constantemente os ponteiros para não chegarem nas dez horas e
começar tudo de novo.
A minha cabeça doía, quando
alguém entrou na cela e me enxotou para uma sala escura onde havia alguns
carrancudos que me olharam com veemência e medo. Alguém foi a um canto, puxou
uma espécie de gaveta e fez sinal para o carrancudo atrás de mim. Esse me
dirigiu ao encontro da gaveta e senti que minhas pernas desapareciam.
O cadáver tinha um sobretudo, um
cachecol xadrez em vermelho, preto e branco e as mãos agarradas ao pescoço. Um
dos carrancudos tirou-lhe as mãos em volta do pescoço e afroxou-lhe o cachecol:
o pescoço havia sido brutalmente afinado por um par de cadarços. Havia sangue
nos cantos da boca.
Fiquei horrorizado, mas calmo,
muito calmo... Não dava para acreditar, simplesmente não dava. Não mais tive
vontade de morrer. Já não tinha forças.
Agora passo os dias aqui,
refletindo, lembrando o dia de chuva, das crianças correndo com os braços
abertos. E, aqui, nem o barulho dos pingos me deixam ouvir. Vivo com um barulho
insuportável nos ouvidos. Imagino que logo cai mais um pingo e outro. Num instante são
centenas... aqui e ali.