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Vai um cafezinho?



Imagem: Google
Acordei pensando nesse blog,  espaço que me obriga a escrever algo quase todos os dias, sem pretensão alguma. Mas hoje especialmente estava sem ideia. Fui então tomar um café, aqui na copa do trabalho. Eca, eca! Não deu para engolir. Por que colocam tanto açúcar?
Não tomei o café, mas achei a ideia. Por que o brasileiro gosta tanto de café? Não faço questão dele. Nem sei fazer café. Nas poucas vezes que me arrisquei, exagerei no pó. Qual é a medida certa? Não tem modo de fazer no pacote, já perceberam? Lá em casa, essa é uma tarefa do meu marido. É um ritual lento, quase uma terapia. Ele acorda, coloca a água para ferver, coloca o pó na medida certa no filtro de papel e fica lá aspirando o cheiro do café fresquinho. Eu fico olhando, meio impaciente. Tudo que preciso é de um pingo para o meu leite morno.
Café é motivo para um bom papo, de gentileza. É uma espécie de etiqueta nas casas dos brasileiros. Pelo menos um cafezinho é preciso oferecer. Agora então me vem a lembrança do meu avô paterno. Ele adorava um cafezinho, que minha avó passava naqueles bules de antigamente.
A bebida chegava fumegante. Ela enchia uma xícara e oferecia a ele num gesto de amor. Meu avô levava a xícara aos lábios finos, escondidos pelo bigode branco, bem aparado. Ouvia então aquele barulho que ele fazia para sorver a bebida sem se queimar. Embora o bigode escondesse, eu via um sorriso de satisfação.
Engraçado como o café parece ter nascido entre nós. Mas não é nativo daqui. Foi descoberto na Etiópia, difundido pelos árabes. E embora um terço do café que circula pelo mundo seja produzido no Brasil, não somos nós os maiores consumidores. Pódio que fica com os norte-americanos. A rede Starbucks, por exemplo, utiliza um grão produzido em Minas Gerais. Eca mais uma vez! O café deles é horrível. Ralo, parece mais um chafé.
Ok, não sou tão chata assim. Se é para uma boa prosa até que aceito um cafezinho. Lembrei até de uma animação para começamos nosso dia com uma xícara de humor!  


Visita ao mundo maia


Crianças maias: arquivo pessoal
 "Sempre lemos nos livros sobre a civilização dos maias, mas não imaginávamos que eles ainda existissem. Esse foi o nosso maior aprendizado de história na viagem que fizemos para Cancun, no México, em 2011. Após mergulharmos nas águas quentes e transparentes do mar do Caribe, enfrentamos três horas de ônibus para chegar a Chichen-Itzá, a cidade dos maias. Chichen-Itzá significa ''boca do poço (de água) do povo do Itzá". O dia estava bem quente, o suor descia pela camisa, mas foi emocionante ver aquela pirâmide de quatro faces e base quadrada e as ruínas da cidade maia, que é uma das novas maravilhas do mundo.

      Anotamos algumas das explicações do nosso guia, um mexicano típico, de estatura baixa, rosto redondo e gente boa. Aliás, segundo ele, os mexicanos são baixos por conta da quantidade de cálcio na água da região, que torna os ossos fortes e dificulta o crescimento. Sabemos lá se isso é verdade, mas o calor estava de matar e tratamos de descolar um chapelão de palha bem mexicano, um sombreiro para aliviar o sol. E ariba, ariba! Os maias colocavam talas nas cabeças dos bebês e, por isso, eles tinham cabeções. Isso era feito pelos nobres para diferenciá-los do povo em geral.
      Segundo o nosso guia, a pirâmide El Castilho tem disposição astronômica perfeita: quatro escadarias voltadas para os pontos cardeais, que somam 365 degraus, um para cada dia do ano. O guia começou a falar sobre o sacrifício para os deuses quando umas menininhas maias começaram a cantar na língua delas para agradar aos turistas e ganhar uns trocados. Demos um dólar. Reparamos nelas. Como o guia havia falado, os descendentes dos maias são diferentes dos mexicanos. Eles têm cabelos pretos e lisos, a pele de um amarelo queimado e os olhos puxados, como o dos orientais. Acima uma foto delas para quem não acredita ...
      Há 5 milhões de maias, sendo 2 milhões no México. Eles eram bons em astronomia e matemática. Foram a primeira civilização a reconhecer o zero. A escrita deles tinha 800 caracteres e o sol era referência para a agricultura. Eles plantavam muito milho. O fim do mundo anunciado para 2012 foi comentado também pelo guia. Segundo ele, não há nada disso. Os maias eram bons astrônomos e sabiam que a cada 52 anos havia o alinhamento perfeito dos astros. O próximo será em 2012 e daí a especulação toda em torno do fim do mundo.  O alinhamento durava oito dias e faz o planeta Vênus sumir do céu. Um guerreiro é sacrificado para que um ciclo de 52 anos tenha início. Após tanta informação fervilhando na  cabeça, voltamos felizes para o ar condicionado do ônibus.”
                              
(Texto escrito por Matheus e Rovênia Amorim)

  
* Republicado antes que o mundo acabe! Que bobagem, não?



Conveniência ou verdade?



Imagem: Google

Aletheia pensou nos últimos embates e no significado da palavra conveniência. O melhor sinônimo não é mentira? Há quem defenda que o melhor é disfarçar a verdade, dosar o que se diz para que a outra pessoa não se ofenda, não se magoe. Ela entende os argumentos, mas não consegue ter meias palavras. Se não gostou, vai falar e expor seus motivos. A pessoa poderá gostar ou não,  mas será a sua verdade, o que pensa.
Num desses embates recentes, a pessoa quis convencê-la de que o melhor é o desvio para não ser grosseira.  Dizer por entrelinhas, usar o desvio, ser indireto, delicado, ter bom-senso, etc e tal. Cansou só de ouvir. No fim, a outra pessoa poderá se iludir, se deixar convencer ou se conformar com a mentira disfarçada. O que ela quer ouvir? Não está preparada para enfrentar a verdade?
Após ouvir os argumentos dessa pessoa, Aletheia passou a refletir. Será que o que ela sempre lhe disse é verdade, o que realmente pensa? Ou é um desvio, as palavras tão bem aceitas do bom-senso. Ela ficou desconfiada. Passou a gostar um pouco menos da pessoa. Não lhe pareceu mais cem por cento confiável.
Por isso, Aletheia prefere dizer e ouvir a verdade. Ainda que se ofenda, terá o direito de retrucar, expor o ponto de vista. Ou então de dar a volta por cima, buscar uma solução, tentar enxergar de outra forma. A verdade pode doer, mas é a verdade. E nada pode ser melhor do que a verdade.
Aletheia sabe que por não ter meios termos, vive se equilibrando naquele velho ditado: me ame ou me odeie. Mas não está disposta a mudar. Prefere viver a verdade, ser uma verdade, ainda que muitos nesse mundo não estejam prontos para aceitá-la. Não acha que ser assim é ser indelicado. É ser livre, é ter respeito, não se conformar com a hipocrisia dessa sociedade.
 Por favor, pede que lhe deem a verdade, sempre a verdade. Explica que não vai odiá-los por isso, ainda que chore, esperneie ou me negue a acreditar de início. Precisa ouvir e enxergar a verdade. É a chance que tem para melhorar, se refazer, mudar o rumo. A conveniência não lhe serve. E pede desculpas por dizer a verdade, a sua verdade.  Ainda que corra o risco de ver os amigos se afastarem.
Ela se lembra então de uma voz amiga, que um dia há tanto tempo lhe disse uma verdade sobre a pessoa querida que a fez chorar:
-  Às vezes, as pessoas que nos amam estão erradas, mas nos dão a mais pura verdade porque querem nos ver felizes.
Verdade que ecoou pela sua vida e que ela só entendeu anos mais tarde. Hoje embala-a na mente e no coração. 


 P.S.:  No texto A concepção filosófica da Verdade, o professor de histório Fábio Pestana Ramos explica que, em grego, a verdade (aletheia) significa aquilo que não está oculto, o não escondido, manifestando-se aos olhos e ao espírito, tal como é, ficando evidente à razão.

Um brinde à infância


Imagem Google

     A cidade tem muito ainda a aprender com a civilização rural. Amigas e vizinhas, as duas acharam que levavam na mala a roupa apropriada para a festa no curral: botas e calças jeans. Mas foram as únicas. O público feminino estava a rigor para a boate rural, com vestido de lantejoulas, salto alto, batom vermelho e cabelo escovado. As duas se entreolharam, acharam graça e partiram para a diversão.
     Foi então que uma delas aceitou uma garrafa pequena do guaraná que o garçom oferecia. Olhou o nome no rótulo e achou familiar: Artemis. Ao levar na boca, o sabor desceu à  memória e lembrou a infância. Tentou ler o local de fabricação. A letra era tão minúscula e a luz do curral reforçada por gerador não ajudava... A garrafinha circulou de mão em mão até que alguém conseguiu decifrar o enigma. Era mesmo fabricada na cidade mineira da sua infância. Que doce sabor! Era, sem dúvida, o melhor refrigerante do mundo!
     O desenho do rótulo piorara. Não trazia mais a deusa da caça, mas as frutinhas do guaraná. Num instante, o assunto flutuou entre as lembranças de cheiros e sabores que memorizamos da infância. Alguém lembrou do quebra-queixo vendido na porta da escola, outro do doce de queijo da vovó,do moranguinho das festas de aniversário e alguém do guaraná Jesus, do Maranhão.
     - Ah, mas o Artemis é melhor. Guaraná Jesus tem esse nome porque é ruim.
- Como assim?
- A pessoa experimentou e disse “Jesus!” – disse o rapaz mineiro, criado no Espírito Santo e agora morador fixo da capital federal.
     A dona da memória da infância do guaraná Artemis lembrou então do amigo de São Luís, que trouxera uma vez o guaraná Jesus para ela provar. A bebida cor-de-rosa tinha gosto doce demais, mas era o sabor da infância dele e o melhor que poderia existir.
Naquela boate rural, ela refletiu então sobre os perfumes e sabores que carregamos da infância. Brindou com o guaraná Artemis o momento dividido com os amigos. E lembrou do crítico gastronômico do clássico Disney "Ratatouille" que, ao provar o prato feito pelo chef ratinho, sentiu saudade da comida da mãe e da infância. A emoção da primeira garfada encheu-lhe os olhos de lágrimas.
Pensando assim, para o amigo maranhense, Jesus superá para sempre a deusa grega Artemis, a toda-poderosa filha de Zeus, e irmã gêmea de Apolo. Para ela, no entanto, Artemis será sempre o  refrigerante dos deuses. Um brinde à infância que carregamos!