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Leitores sacrificados


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Faz tempo que não esbarro num livro tão ruim. Só não o atiro no lixo porque devo mesmo aceitar que sou teimosa. Quero chegar até o ponto final para ter a certeza de que nunca mais quero ler nada escrito por essa escritora brasileira.

Pior é saber da sua fama popular e que tem seus leitores. Como conseguem? Viro as páginas e leio palavras sem alma. A cada nova página, ratifico o quanto essa leitura me sacrifica. 

Mas pelo menos tive a sorte de esbarrar esta semana num ensaio da jornalista e professora da Universidade de Brasília Regina Dalcastagnè sobre o livro Literatura brasileira contemporânea: um território contestado (Editora Horizonte e Editora da UERJ), em que ela aborda o elitismo na literatura brasileira – uma espécie de porta a sete chaves onde passam com mais facilidade jornalistas e acadêmicos.

Como se os marginalizados não tivessem o que contar, não soubessem escrever... Como se somente os bem-nascidos soubessem escrever, tivessem o que contar...É um preconceito pouco discutido.  Há ideias, histórias, poesias perdidas, por exemplo, em blogs e sites pela internet. Às vezes, esbarramos nesses talentos desconhecidos.

Mas o que gostei mesmo foi de uma frase do ensaio, que cabe perfeitamente para explicar esse livro que teimo em ler: “Publicar um livro não transforma ninguém em escritor, ou seja, alguém que está nas livrarias e nos jornais.”  


Na próxima semana começa a contagem regressiva. Até lá, deixo com vocês uma música que adoro! Bom fim de semana!





Pequena sábia


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Crianças nos dão lições sábias. Um dia desses, levei um susto ao descobrir que aos oito anos já é possível começar a colecionar filosofias de vida:

"Prefiro não copiar ninguém. Se eu errar, pelo menos vou errar o meu erro e não o erro da outra pessoa."
                                                                                  (Clara,em 07/01/2013)

Efeito borboleta

Crédito: qanafir

     Os dois são daqueles amigos que se reúnem sempre para trocar uma ideia e saborear uma nova cerveja ou vinho, mas um não desconfia do segredo do outro. É que a amizade ficará sem asas. 
O amigo que não sabe da existência do segredo é biólogo, com pós-doutorado, um apaixonado por borboletas. Esses seres encantadores, que nascem rastejando e ganham os ares com suas cores. Inspiram poesia, canções, amores. É quase impossível não se encantar por esses insetos frágeis, nascidos pela mágica da metamorfose.
Mas há o segredo do amigo, um construtor apaixonado por pontes e concreto, proprietário de um hobby admirável. É apaixonado por flores. O jardim da sua casa é invejável. Há frescor, vida e colorido em orquídeas que ele cultiva em xaxins pendurados em palmeiras imperiais.
     Porém, quando ninguém vê, ele assassina as borboletas que pousam em suas flores. “Elas comem as plantas da horta e as flores do jardim”, revela o menino de seis anos o segredo até então guardado pelo pai.  Conta-o assim, ingenuamente, sem espanto na voz e no olhar! Crescerá sem admirá-las porque teve essa  sensibilidade assassinada. 

Ilha da fantasia?


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             Brasília é uma delícia em janeiro. As pistas largas estão vazias, com poucos carros, e a cidade aproxima-se do Plano Piloto traçado por Lucio Costa. É que cinco décadas depois, a capital ficou inchada no tráfego, precisou de semáforos e de paciência no trânsito.      
             Crianças de férias, sem obrigação de não chegar atrasada à escola, vagas a escolher... Confesso, estou no paraíso. Mas um dia desses, recebi a visita de uns primos tortos de São Paulo. Impressionaram-se com a beleza e a calmaria de Brasília. Mas precisaram ir a Taguatinga. Voltaram de lá ainda mais impressionados.
            - Brasília é uma ilha da fantasia. Taguatinga é o Brasil!
            Isso me fez lembrar da Rodoviária do Plano Piloto. Está cravada no meio do Eixo Monumental, que separa a capital em Asa Sul e Asa Norte. 
            É nesse terminal, que já tentaram modernizar (embelezar), onde desembarca o povo que vem de todas as cidades do Distrito Federal. São trabalhadores, que devem rezar baixinho para chegarem sem atraso até o patrão. É que a frota coletiva é péssima. Os ônibus sempre quebram, colaborando para piorar o trânsito.
            Sim, mas o que eu queria dizer mesmo era sobre essa genial ideia de Lucio Costa, de construir uma rodoviária no Eixo Monumental, a poucos metros da Praça dos Três Poderes, onde ficam o Palácio da presidenta e o conhecido cartão-postal do Congresso Nacional. É o confronto entre o poder de quem faz a política e o poder de quem escolhe os políticos: o nobre povo.
            Não é preciso ir a Taguatinga para enxergar o Brasil. O Brasil desembarca em Brasília todos os dias. É um cenário lindo e desafiador.  As mazelas, o suor, a força e o entusiasmo do povo brasileiro abertos à contemplação. Só é preciso enxergar!