Páginas

Translate

Livre para amar

Faz um ano que ela teve a genial ideia de presentear as netas com o Ted. O coelhinho branco, de olhos azuis, chegou na cesta junto com ovos de chocolate. As crianças amaram, a mãe nem tanto. 

Mas era um bicho tão fofo que a mãe pegou-o no colo, alisou-o e pronto, estava apaixonada. Mas onde o Ted moraria? Um problemão. Na casa já havia o Scooby, o destruidor das plantas. Nunca houve um cão tão voraz. Além das plantas, comeu dois dos três cogumelos de concreto das fadas, e entrou sorrateiro na cozinha para devorar o tapete da pia. 

A mãe, tão doce com a natureza, daquelas que evita pisar em formigas, teve um ataque. Era demais. Se o Scooby com aquele olhar de dog inocente não fosse para o adestrador seria morto. Por ela mesma, que se encarregaria de achar um veneninho.
Enfim, ouviram a sua fúria e o Scooby foi para o adestrador. Caminho livre para o Ted que poderia sair do banheiro. Ninguém merece morar num banheiro. 

Ted adorou a graminha, esticava as perninhas de trás, exibindo o rabinho pom-pom. Ele adorava a mãe. Bastava ela chamá-lo pelo nome, que ele vinha. Desconfiado, mas vinha, comer a alface sem agrotóxico. 

Graças ao Ted, ela descobriu que coelhos não gostam tanto assim de cenoura. Preferem alface. E ela comprava. Era uma dona dedicada. Até que um dia, o Ted descobriu o buraco na cerca-viva. Vivia de lá para cá. Sumia o dia todo, mas na manhã seguinte vinha vê-la e saborear folhas de alface frescas. 

Não demorou muito para apaixonar-se pelo gato malhado do vizinho. Passou então a ficar mais no quintal de lá. Que tristeza. Como podia ser tão fofo e tão ingrato? Qual a graça de trocar os afagos da mãe pelos daquele gato?
Imagens Tumblr

Pior foi quando ela flagrou o vizinho esquisito acariciando o Ted, carregando-o no colo... Pronto, agora ele tem um novo dono. As visitas foram escasseando, escasseando... até o dia que ela não o viu mais. Consolou-se em saber que o Ted foi livre para viver seus amores.


Feliz Páscoa para todos, com cesta cheinha de carinho, respeito, amor e liberdade de escolhas. 

Meu filósofo é verde

Arquivo Pessoal
Bruna é uma menininha de oito anos que adora revistas em quadrinhos. Ela descobriu que neste mês de março a Mônica faz 50 anos. 

- Como assim, mamãe? Você não sabe de nada, mesmo. Ela só tem sete!

Tive de falar de Mauricio de Souza e dos personagens criados por ele, que nunca envelhecem. Os olhos de todos da família começaram a brilhar. Cada um falando dos seus personagens preferidos: Coelho Caolho, Tina e Rolo, Marina, Bidu, Jotalhão. Você deve ter o seu. Todos têm!

Eu? Eu amo o dinossauro verde, o Horácio. Além de fofo, educado e humanista, ele é inteligente, vive pensando, o que é apaixonante. 

Em setembro, fará 50 anos que a Folhinha de S.Paulo publicou a primeira historinha em quadrinhos do meu filósofo verde. Então teremos em 2013 mais um personagem soprando a velinha de 50 anos. 

Pena que no Brasil os endinheirados não investem em diversão. Já imaginaram um Parque da Mônica como os de Walt Disney? Até o Parquinho da Mônica, que funcionava dentro de um shopping em São Paulo, fechou. Lembro que me encantei pela casinha da Mônica e seu armário cheio de vestidinhos, todos iguais, todos vermelhos. 

Agora imagina um parque enorme com todos os personagens do talentoso Mauricio de Souza! E o meu Horácio lá, a filosofar...

Imagem do Google

Diante do amanhã

Google Images
Diante do abismo, o que carrega o medo na alma vê a possibilidade de queda e de morte. Passa os dias evitando o novo, temeroso dos perigos que os mundo oferece. Sobrevive de cautelas, não vive, não se arrisca, prefere a segurança de uma caverna escura.

Diante do mesmo abismo, aquele que não traz o medo na alma vê o amanhã. Olha sempre na direção do sol e é capaz de pegar carona nessa luminosidade para transpor os desafios e chegar do outro lado, onde começa o novo dia. Ao vencer esses obstáculos, carregará a experiência de ter vivido. Terá o peito cheio de exaltação, de uma alegria infinita. Será livre num mundo claro, aberto, repleto de belezas porque teve a coragem de voar até elas.

Sabem de onde veio essa linda inspiração filosófica?  De um desenho animado, Os Croods, em cartaz nos cinemas. Dá para rir um monte, chorar um pouquinho e colher filosofia. 

Voo sublime

Foto de Breno Fortes
Três pontes cortam o Lago Paranoá, esse lindo espelho artificial construído pelos candangos e que emoldura o Plano Piloto de Lucio Costa. A primeira a ser construída e a mais simples é a Ponte das Garças. É  funcional, uma reta sobre o lago, sem a arte dos singelos pilares de Niemeyer na ponte que leva o nome do presidente do AI-5 (Costa e Silva) e sem os arcos monumentais da JK, o mais novo cartão-postal de Brasília. 
Mas a ponte mais humilde, construída para ligar a Asa Sul do Plano Piloto ao Lago Sul, o mais nobre setor habitacional da capital, é a Ponte das Garças. Recebeu esse nome porque essas aves eram comuns no Lago Paranoá.  Mas começaram a sumir e de nos presentear com a graça dos seus voos. 
Em 2003 fiz uma reportagem sobre o assunto e um biólogo especialista em pássaros confirmou o sumiço e alertou sobre a necessidade de pesquisas para descobrir se houve mudanças ambientais e alteração da rota migratória. 
Enfim... mas ontem vi um voo sublime registrado pela câmera de Breno Fortes, um fotógrafo talentoso com o qual já tive o prazer de trabalhar. Admirem, porque a imagem é de uma beleza ímpar!

Um ótimo fim de semana!