Joana França (divulgação) |
Um dia
desses, há duas semanas mais ou menos, na volta para casa, uma das minhas filhas
avistou homens na altura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Eu, na
pressa e de olho no trânsito movimento em direção à Ponte JK, nem dei bola à
pergunta:
- Mãe, são
homens que estão ali pendurados?
- Claro,
minha filha, são pessoas trabalhando...
Só nos dias
seguintes, passando pelo mesmo trecho, é que percebi a instalação de arte com
corpos pretos pendurados e expostos em variadas formas. De relapso, achei
interessante e quis visitar a exposição.
A vontade de passar por lá
aumentou ainda mais quando me deparei com uma escultura fincada ao lado da
pista, imóvel e desafiadora, como um alienígena. Gosto dessas interferências
artísticas urbanas que nos inquietam, nos retiram da monotonia do nosso dia a
dia.
No domingo, dei uma passada
rápida pela exposição no CCBB com as minhas filhas. Para tornar o passeio mais
lúdico, entreguei a minha máquina fotográfica e deixei que cada uma capturasse
a imagem de que mais gostasse. Uma gostou do homem pensativo, a imitar Rodin. A outra do homem pendurado pelo pé, uma forma invertida de ver o mundo.
Brasília é uma cidade com
arquitetura muito humanista por ser filha de Lucio Costa. Os nossos monumentos
não são suntuosos, mas singelos, em respeito à dimensão humana e à natureza.Na
minha opinião, é isso o que faz essa cidade tão especial dentro do movimento
modernista. Não temos espigões, mas temos o céu aberto do Planalto Central. E
os arquitetos que inventaram essa cidade souberam dimensionar esse esplendor.
Mas voltemos aos homens de preto
e de ferro. Esses alienígenas são obra de Antony Gormley, reconhecido como um dos
maiores artistas britânicos da atualidade. Todos os corpos são réplicas do
corpo dele, uma onipresença em pontos estratégicos de Brasília. Há quem
goste, há quem não.
- “Que coisa mais narcisista!”, disse uma amiga, que não gostou das esculturas nus. Engraçado como o nu não chocou as minhas filhas. Para elas que já visitaram o Metropolitan, em Nova York, e sentaram-se no chão para desenhar esculturas clássicas greco-romanas de corpos nus, em mármore branco, o chocante da instalação de Gormley foi a posição dos corpos. Cada uma fez suas próprias observações.
Eu ainda acho que a visita e
a reflexão são válidas.
Foto: Jamila Tavares (G1) |
Boa Tarde, Rovênia!
ResponderExcluirMuito sugestivas mesmo, as imagens... Ainda por cima combinaram bem com a amplidão dos ambientes em que estão expostas.
Ótima semana para você!
Que bacana Rovênia!!! Pude sentir a beleza do passeio em tuas palavras. Muito interessante. Artes de interferência urbanas... amo também
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