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A chuva chega atrasada
traz vida a ela que se esconde
atrás daquela janela
Chora forte, escorre pelas ruas
as dores dos dias
Atrás dela, o vento bravo
empurra os galhos, sem dó,
até quase quebrá-los
As goiabas caem,
as verdes e as podres,
as flores e as folhas,
as belas e as mortas
Ela abre a janela,
inspira o som molhado
Refugia-se.
A chuva insiste, resiste.
Por mais um instante,
embalo-me sozinha
pelos pingos em veludo
que pisoteiam as telhas,
as pretas e as amarelas.
Um trovão longe e rouco
desfaz a cadência, a cena.
A inspiração esvai-se, líquida,
no silêncio do último pingo.
Bom fim de semana!