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"Educação não é privilégio."
Anísio Teixeira
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Imagine a seguinte situação: um carretel em que você vai desenrolando a linha. Uma linha que nunca chega ao fim e que vai produzindo um emaranhado daqueles. Você nem acaba de desenrolar e precisa, ao mesmo tempo, começar a enrolar a mesma linha que, agora, corre o risco de criar nós. Não é complicado?
Pois assim é a situação educacional no Brasil. As elites empoleiradas no poder agiram egoistamente. Proclamaram uma educação pública para todos, mas enganaram-na com modelos importados não condizentes com a nossa realidade, currículo amplo e vago e que não conversava com as necessidades produtivas do país. Criaram a escola de turnos com a desculpa de que, assim, com menos tempo de aulas, haveria mais vagas.
Proclamaram um acesso democrático sob uma falsa universalização. O propósito real era de que as classes populares desistissem da escola no ensino secundário, antes de chegarem às universidades. Os filhos da elite estudariam em escolas privadas, com suposta melhor qualidade do ensino. Asseguravam-se, portanto, a imobilidade social e o apartheid, não declarado, nas escolas.
A história mostra hoje, claramente, o tiro no pé que a elite deu em si mesma e no país. Prejudicou a educação de todos. O Brasil busca um lugar entre a pujança internacional, mas não tem condições de competir. Sem concorrência, a escola privada de nível médio não enfatizou qualidade e barateou a mensalidade para aumentar as matrículas. Continua desarrumada, com altos índices de evasão porque oferece um currículo enciclopedista e desconectado com a realidade.
A criação de duas escolas resultou em reprovação para todos. As elites astutas desconsideraram que as classes mais populares sonhavam também. Quiseram a mesma educação oferecida aos ricos por acreditarem que fosse a melhor chance a um futuro promissor. No egoísmo das políticas de exclusão, as classes dominantes afundaram elas mesmas e todo o país. Temos uma educação plena de nós.