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Young Woman Reading - Umberco Buccioni (1909) |
Aquelas palavras moldadas ao ouvido de quem estudou pouco, mas que abraça o aprendizado doado pelo viver.
Perdida entre as tantas enraizadas nos livros, ela vagava em busca de uma sabedoria que nunca alcançaria, mas há que se redimi-la pela sensibilidade herdada da infância.
Naquele tempo em que aquietava a alma a observar os homens de mãos calejadas, andar curvado, sem pressa e sorrisos naturalmente felizes.
Naquele tempo em que investia fios de horas a registrar as mulheres de coque acinzentado, roupas de avós, nenhuma vaidade, a entreterem-se nos cheiros da cozinha.
- Quer uma "taia", minha menina?
Ela aceitava e olhava de soslaio para o buraco da parede onde morava o sapo.
Tantos anos mais tarde, em meio às leituras, esbarraria com a palavra antiga: "taia" é igual a talha, que é igual a repartir a produção com o senhor do feudo.
A história avança, mas deixa seus rastros. Ela fechou as palavras que amparava sobre o colo e pôs-se a um instante de nada.
Na virada seguinte, percebeu-se no entrelaço da história, daqueles que pagavam "banalidades" para moer o trigo, assar o pão e tirar da terra uma talha de vida.